Condução de meditação por inteligência artificial | por Marcus Rosa
Para mim, há uma grande diferença entre a meditação guiada por um ser humano da meditação guiada por inteligência artificial. A voz humana transmite emoções e não simples comandos. Quem escuta e possui sensibilidade pode captar os estados mentais que a voz humana transmite. Se o condutor de meditação está em paz e tranquilo, uma voz transmitirá sua paz e tranquilidade aos praticantes. Numa boa sessão de meditação guiada, ainda que a pessoa se distraia com pensamentos ou fantasias da imaginação, ainda assim a voz humana permitirá a tranquilização e pacificação da mente em algum nível.
Não sei se uma meditação guiada por inteligência artificial consegue entender um aperto de mão, uma irritação na garganta ou uma queimação no estômago (e olha que isso é o básico). Não há empatia. Ela pode imitar a voz humana, mas não reproduzir a originalidade em cada fala, pois todas as vezes que falamos nossa fala muda conforme mudam nossos estados mentais. A mesma frase dita com uma mente agitada pode adquirir conotação totalmente diferente quando a mesma pessoa repete a mesma frase imbuída de estados mentais leves, tranquilos e pacíficos.
O problema da voz artificial é que ela não transmite nada. É uma sequência de comandos vazios e neutros carentes de energia emocional e sentimentos. Melhor seria a memorização dos comandos lidos em um livro e repeti-los mentalmente enquanto se pratica meditação. Em seus primórdios, os ensinamentos budistas destacavam a importância da memorização dos ensinamentos. Quem memoriza guia a si mesmo. A meditação conduzida de um ser humano para outro supre a necessidade de memorização. Sente-se os efeitos de pronto.




