Infoxicação e medo de não saber – Marcus Rosa – QUARTA PARTE
Informação e orientação
Tudo na vida tem um propósito.
Nada na vida é sem propósito.
Acreditar que alguma coisa seja totalmente desprovida de propósito ou sentido representa uma vida flamulada pelos ventos dos estímulos, ondulada pela agitação de sentimentos que o excesso de informações.
O excesso de informação também tem seu propósito. Podemos usar esse excesso para abafar sentimentos desagradáveis, até que caiam no esquecimento, ou para substituir sentimentos desagradáveis por sentimentos agradáveis. No entanto, como tudo o que deriva de excessos costuma não ser saudável, é bem provável que o uso contínuo da Infoxicação como forma de abafamento ou substituição de sentimentos desagradáveis também não seja saudável.
Nosso relacionamento com a informação
Nosso cérebro reage ao ser estimulado pelas sensações nascidas das informações que consumimos. Essa reação pode ser negativa, positiva ou neutra. Em nosso interior habitam as tendências profundas de rejeitar, cobiçar ou ignorar determinados tipos de informação.
Quando entramos em contato com informações que não gostamos, nossa reação automática é rejeitar sem se preocupar com a veracidade da informação.
Quando apreciamos determinados tipos de informação, queremos agarrá-la ou sair em busca de suas representações.
Quando as informações que não fazem parte do nosso cardápio de certo e errado, de preferências ou repúdios, simplesmente às ignoramos.
Vivemos uma relação de amor, ódio e indiferença com as informações
Quando amamos as informações que recebemos, as apreciamos como se fossem parte do nosso próprio ser ou como uma manifestação de uma verdade absoluta. Essa reafirmação do saber que achamos que sabemos costuma ser extremamente prazerosa e gratificante, apesar de essas sensações serem fugazes, de fácil desvanecimento. Talvez seja essa a razão da nossa busca incessante por reafirmação.
As sensações agradáveis desaparecem assim que tentamos agarrá-las.
Quando as informações que odiamos nos alcançam, tendemos a rejeitá-las de maneiras diferentes. Podemos negá-las, virando a cara para o que está acontecendo diante de nossos olhos; podemos criar justificativas ilusórias para o que está acontecendo, para não ter que encarar a realidade dos fatos; podemos direcionar nosso ódio e rancor contra o mensageiro.
A aversão à informação desagradável pode aparecer de maneiras diferentes para diferentes tipos de personalidade.
E o terceiro modo de relacionamento conflituoso com a informação aparece quando a consideramos desinteressante. Aqui, a mente simplesmente a ignora, não presta atenção, abandona qualquer forma de abordagem crítica e investigativa do conteúdo e, ao pôr a informação de lado, continua seguindo em sua interminável busca por prazeres sensoriais ou fuga das dores físicas ou emocionais.
O interessante da delusão da mente é que ela costuma relacionar o gostar ao que é verdadeiro e o não gostar ao falso.
A mente deludida acredita, inadvertidamente, que:
Se algo está dentro da caixinha do “eu gosto”, então é verdade;
Se algo está dentro da caixinha do “eu não gosto” ou do “eu não sei”, então é falso.
Em sua infantilidade, age como se a verdade respeitasse suas preferências pessoais.




