A Morte e a Ilusão da Perda | por Lorrany Estacio
Quando nos despedimos de alguém que amamos, a dor parece nos rasgar por dentro. Sentimos que algo essencial nos foi arrancado, um vazio se abre e nos perguntamos como seguir sem aquela presença que tanto significava. Mas e se a morte não fosse uma perda? E se aquilo que acreditamos ter sido tirado de nós nunca tivesse realmente nos pertencido?
A prática do mindfulness nos convida a olhar para a realidade com maior clareza. Dentro dessa compreensão, percebemos que tudo o que surge também se desfaz, pois é da natureza das coisas serem impermanentes. O problema não está na morte em si, mas na nossa relação com ela. Apegamo-nos às pessoas, às experiências, aos momentos, como se fossem propriedades nossas. Mas nada nos pertence. Tudo é apenas um encontro temporário, uma experiência que se manifesta por um tempo e depois segue seu fluxo.
Isso significa que não devemos sentir tristeza? De forma alguma. O luto é natural. Mas quando o vemos à luz da impermanência, ele pode ser vivido com mais serenidade. A dor da perda não desaparece, mas pode se tornar menos aflitiva quando percebemos que não perdemos nada, apenas testemunhamos o movimento da vida em sua essência.
Meditar sobre a morte – e aceitá-la não como um fim, mas como parte do ciclo – nos ensina a viver com mais plenitude. Se sabemos que tudo é passageiro, aprendemos a estar presentes de verdade com aqueles que amamos. Em vez de nos agarrarmos à ilusão de permanência, podemos simplesmente apreciar a beleza de cada instante.
A morte não nos rouba nada. Ela apenas nos lembra do que sempre foi: um fluxo constante, onde nada pode ser retido. Aceitar isso não é abandonar o amor, mas reconhecê-lo em sua forma mais pura: livre de posses, mas repleto de presença.




