Brain Rot | por Tiago Leal
Um termo novo tem se popularizado na internet o Brain Rot (cérebro apodrecendo). Esse termo não é usado em nenhum artigo científico que eu encontrei, mas se refere a sensação subjetiva muito comum de que os conteúdo digitais em formatos curtos e repetitivos como o Tik Tok, o Reels do Instagram e Shorts do Youtube, de alguma forma estão nos causando uma espécie de deterioração cognitiva. Neste artigo, vou explicar o que é o Brain Rot e como o Mindfulness (atenção plena) é o antídoto perfeito para esse fenômeno.
Comecemos pelo inicio. O que é o Brain Rot? É a sensação que usuários crônicos de redes sociais de conteúdo curto – como o Tik Tok – tem descrito de perderem o foco e a concentração. Essa sensação também se manifesta como um apatia para tarefas mais complexas e exigentes. Algumas pessoas relatam procrastinação constante e até mesmo a sensação de emburrecimento. O fenômeno também pode se manifestar como a necessidade de estímulos intensos e curtos o tempo inteiro ou um tédio intenso diante de tarefas mais profundas como ler um livro ou estudar.
Pode parecer só mais uma moda da internet, um termo para descrever uma patologia que não existe. Contudo, as neurociências suportam a noção de que o Brain Rot pode sim ser real. Faz todo o sento neurocientífico.
Vamos olhar primeiro para o sistema de recompensa dopaminérgico. Conteúdos digitais rápidos ativam esse sistema de forma intensa e artificial. As consequências disso são muitas. A primeira é a habituação e a tolerância, será necessário estímulos cada vez mais intensos para que possamos nos sentir bem. O que nos levará a uma aversão patológica ao tédio e a espera. E como livros não são tão estimulantes quantos as luzes do celular, teremos dificuldades para uma leitura ou estudo mais profundo.
Outra consequência é o Overload cognitivo. Uma exposição intensa e continua a uma infinidade de estímulos sobrecarrega nosso sistema cognitivo e sensorial, dificultando a consolidação de novas memórias – talvez seja daqui que venha a sensação de emburrecimento. Esse Overload (sobrecarga) também tem efeitos sobre a nossa capacidade de manter a atenção sustentada e o foco no longo prazo (1).
Por fim, não podemos nos esquecer de que o cérebro é plástico. Se ensinarmos para ele que sua principal atividade é pular de um estimulo curto, intenso e a aleatório para outro, é nisso que ele vai se especializar. E quando precisarmos dele para tarefas mais complexas ele não vai estar acostumado. É como uma pessoa sedentária querer correr uma maratona sem nunca ter treinado antes, simplesmente não vai acontecer.
Por isso que o Mindfulness é o antídoto perfeito para o Brain Rot. O Mindfulness é uma técnica de atenção, mas também uma filosofia de vida que nos pede para estar consciente e atento a cada tarefa do dia. Quando lavar a louça, apenas lavar a louça, como se fosse a única tarefa importante no mundo e mais nada. Uma tarefa de cada vez com profundidade. A vida no Mindfulness é uma vida de atenção profunda e não de atenção rasa.
O Brain Rot é multitarefas, a atenção plena é monotarefa. As redes sociais são rasas, o Mindfulness é profundo. Meditar exige atenção, e muitas vezes exige silêncio. Uma vida baseada no Mindfulness é atenta e centrada. O cérebro em sua plasticidade aprende a fazer cada tarefa de uma vez. Enquanto as redes sociais nos emburrecem – está mais do que fundamentado na literatura cientifica – de que o Mindfulness fortalece nossas capacidades cognitivas.
Então, se você quer combater o Brain Rot, pratique Mindfulness. Outras dicas importantes vem do movimento iniciado pelo autor Cal Newport do Minimalismo Digital (2). O minimalismo digital prega que uma tecnologia só deve estar na nossa vida se trouxer um beneficio real para nós. Por isso, o autor, vê as redes sociais com muitas suspeitas. Uma dica bem legal que eu extrai desse movimento foi o de usar as redes sociais pelo computador e não pelo celular. Já mitiga muito dos danos sem perder a conectividade.
Leitores, esse era o recado desse mês, a neurociência do Brain Rot é real. Espero que possam manter-se firmes em suas práticas de Mindfulness e possam driblar os perigos das redes socais. Um abraço gentil em todos!
Referências:
1) Ophir E, Nass C, Wagner AD (2009). Cognitive control in media multitaskers. PNAS.
2) Cal Newport. Minimalismo digital: para uma vida profunda em um mundo superficial.2019




