Como o Mindfulness me Ajuda a Desenvolver a Virtude da Temperança

A vida pulsa entre extremos. Entre o desejo e a renúncia, a ação e a espera, a intensidade e o repouso. Muitas vezes, me pego oscilando entre eles, como um pêndulo que nunca encontra descanso. Até que respiro. E no espaço entre um instante e outro, descubro a temperança.

O Mindfulness me ensinou que não preciso lutar contra as marés, nem me deixar levar por elas. Posso apenas estar. Presente, desperto, consciente. A temperança nasce desse estado – da capacidade de reconhecer cada momento sem pressa de alterá-lo. De sentir a emoção sem ser arrastado por ela. De permitir que a vida se revele no seu ritmo, sem o peso da impaciência ou a rigidez do controle.

Assim como na meditação, temperança é o espaço entre o impulso e a resposta. O segundo em que escolho não agir no automático, mas escutar. A pausa que transforma um dia turbulento em um instante de clareza. O olhar que não julga, mas acolhe.

E percebo que a paz não vem da ausência de movimento, mas da sabedoria de fluir com ele. Como um lago que reflete o céu sem tentar prendê-lo, como a respiração que segue seu curso sem ser forçada. Quando aceito o agora como ele é, sem excessos nem carências, encontro um lugar onde tudo se equilibra – dentro e fora de mim.

Autora: Lorrany Estacio. Ex-aluna MBSR 2024.